A primeira bateria integrada a uma usina solar autorizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) no Brasil entrou em uma nova etapa. O sistema de armazenamento instalado junto à usina fotovoltaica Sol de Brotas 7, da Statkraft, na Bahia, recebeu autorização para iniciar sua operação em teste a partir de 2 de outubro de 2026.

O projeto utiliza baterias de íons de lítio e possui 1,25 MW de potência instalada e capacidade nominal de 5,016 MWh. Mais do que representar a instalação de uma grande bateria junto aos painéis solares, o empreendimento mostra na prática como geração fotovoltaica e armazenamento de energia podem funcionar de maneira integrada no sistema elétrico brasileiro.
Primeira bateria integrada a usina solar no Brasil inicia testes
A autorização envolve a unidade de armazenamento associada à UFV Sol de Brotas 7, localizada no município de Uibaí, na Bahia. O empreendimento representa o primeiro projeto autorizado pela ANEEL a incorporar um sistema de armazenamento de energia colocalizado a uma usina solar no país.
A Sol de Brotas 7 já havia avançado para a operação comercial de sua geração fotovoltaica. Agora, o início dos testes do armazenamento acrescenta uma nova tecnologia ao empreendimento.
O sistema utiliza uma configuração conhecida como SAE colocalizado, na qual o armazenamento é instalado junto a uma central geradora. A ANEEL regulamentou os procedimentos e requisitos para sistemas de armazenamento colocalizados a centrais geradoras em 2026.
O que significa uma bateria integrada a uma usina solar?
Uma bateria integrada a uma usina solar permite acrescentar armazenamento à infraestrutura de geração fotovoltaica. Em vez de a eletricidade precisar ser utilizada ou entregue à rede apenas no momento em que é produzida, parte dela pode ser armazenada e disponibilizada posteriormente.
No caso da Sol de Brotas 7, o sistema de armazenamento pode receber eletricidade da própria usina fotovoltaica ou da rede elétrica à qual o empreendimento está conectado.
Essa característica permite separar parcialmente dois momentos que tradicionalmente ocorrem quase simultaneamente no sistema elétrico: a produção e o consumo da eletricidade.
Esse princípio é uma das principais aplicações do armazenamento de energia elétrica, especialmente em sistemas com participação crescente de fontes renováveis variáveis, como solar e eólica.

Qual é a capacidade da bateria da usina Sol de Brotas 7?
O sistema de armazenamento da Sol de Brotas 7 possui 1,25 MW de potência instalada e 5,016 MWh de capacidade nominal. Embora os dois números estejam relacionados, eles representam características diferentes de uma bateria de grande porte.
- 1,25 MW: representa a potência do sistema, indicando a capacidade de fornecer ou absorver energia em determinado momento dentro das condições previstas de operação.
- 5,016 MWh: representa a quantidade nominal de energia que o sistema consegue armazenar.
Dividindo a capacidade de 5,016 MWh pela potência de 1,25 MW, chega-se a aproximadamente 4 horas. Essa relação é uma forma simplificada de compreender a duração nominal do armazenamento caso a descarga ocorresse continuamente na potência indicada.
Isso não significa que a bateria necessariamente permanecerá descarregando durante quatro horas em todas as situações. A operação efetiva depende da estratégia adotada, estado de carga, eficiência, limites dos equipamentos e condições do sistema elétrico.
Como funciona o sistema BESS integrado à usina solar?
O armazenamento da Sol de Brotas 7 é uma aplicação de um Battery Energy Storage System (BESS), ou sistema de armazenamento de energia em baterias.
Embora as baterias sejam o componente mais conhecido, um BESS é formado por diferentes equipamentos trabalhando de maneira coordenada. Além das células e módulos de armazenamento, esses sistemas utilizam equipamentos de conversão de potência, proteção, controle, monitoramento e gerenciamento das baterias.
Durante o carregamento, a eletricidade é convertida e armazenada eletroquimicamente nas baterias. Na descarga, essa energia volta a ser convertida em eletricidade e pode ser disponibilizada conforme a estratégia de operação.
Para entender detalhadamente essa tecnologia, veja nosso guia sobre o que é BESS e como funciona um sistema de armazenamento de energia em baterias, incluindo componentes como BMS, PCS e EMS.
Por que integrar baterias às usinas solares?
A geração fotovoltaica varia ao longo do dia de acordo com a disponibilidade de radiação solar. A integração de uma bateria acrescenta uma nova possibilidade à operação: armazenar energia em determinado momento e disponibilizá-la posteriormente.
Isso permite deslocar parte da energia no tempo e acrescentar flexibilidade ao empreendimento. Dependendo da configuração e das regras aplicáveis, sistemas de armazenamento também podem auxiliar no gerenciamento de potência e responder rapidamente às necessidades do sistema elétrico.
É importante observar que uma bateria não produz energia adicional. Ela recebe eletricidade, armazena parte dessa energia e posteriormente a devolve ao sistema, existindo perdas durante o processo de armazenamento e conversão.

Sol de Brotas 7 faz parte do Complexo Santa Eugênia
A Sol de Brotas 7 integra o Complexo Santa Eugênia, empreendimento da Statkraft localizado na Bahia e formado por geração eólica e solar.
Segundo informações da Statkraft, o complexo reúne parques eólicos e solares e também recebeu o projeto de armazenamento em baterias.
A presença das três tecnologias no empreendimento — geração eólica, geração solar e armazenamento — ajuda a demonstrar como diferentes recursos energéticos podem compartilhar uma mesma estrutura de geração renovável.
Por que o projeto é importante para o armazenamento de energia no Brasil?
A entrada em testes da bateria da Sol de Brotas 7 ocorre justamente quando o armazenamento de energia começa a ganhar maior espaço regulatório e operacional no setor elétrico brasileiro.
Em junho de 2026, a ANEEL regulamentou procedimentos e requisitos para a inclusão de sistemas de armazenamento em centrais geradoras por meio da Resolução Normativa nº 1.162/2026.
A regulamentação abriu caminho para que sistemas de armazenamento possam ser incorporados formalmente a empreendimentos de geração solar, eólica, termelétrica e outras fontes abrangidas pelas regras aplicáveis.
Com a expansão das fontes solar e eólica no Brasil, tecnologias capazes de acrescentar flexibilidade ao sistema elétrico tendem a ganhar importância. As baterias são uma das alternativas disponíveis por apresentarem resposta rápida e possibilidade de implantação modular.
A bateria da Sol de Brotas é semelhante às baterias solares residenciais?
O princípio fundamental é semelhante: armazenar eletricidade para utilizá-la posteriormente. Entretanto, a escala, os equipamentos, os controles e a finalidade podem ser bastante diferentes.
Em uma residência, uma bateria pode possuir capacidade de alguns quilowatt-hora e ser utilizada para aumentar o autoconsumo da geração fotovoltaica ou fornecer energia de backup a determinadas cargas.
Já os sistemas integrados a grandes usinas trabalham na escala de megawatts e megawatt-hora e precisam operar de acordo com requisitos técnicos e regulatórios relacionados ao sistema elétrico.
Para conhecer as principais alternativas utilizadas em sistemas fotovoltaicos, veja também nosso conteúdo sobre como armazenar energia solar em baterias.
Armazenamento de energia ganha espaço no sistema elétrico brasileiro
A experiência da Sol de Brotas 7 não acontece de forma isolada. O Brasil vem avançando simultaneamente na regulamentação e na contratação futura de diferentes aplicações de armazenamento de energia.
Existem, por exemplo, sistemas colocalizados a centrais geradoras e sistemas de armazenamento autônomos, que possuem características regulatórias e operacionais diferentes.
O avanço desses projetos mostra que as baterias começam a deixar de ser apenas uma tecnologia associada a pequenos sistemas solares e passam a ocupar também um espaço próprio na infraestrutura elétrica de grande porte.
O que acontece depois da operação em teste?
A autorização para operação em teste não deve ser confundida com a conclusão definitiva de todas as etapas operacionais do sistema de armazenamento.
Essa fase permite verificar o comportamento dos equipamentos e sua integração ao empreendimento dentro das condições estabelecidas para o projeto.
Por isso, a evolução da bateria integrada à Sol de Brotas 7 deverá continuar sendo acompanhada. A experiência poderá fornecer uma referência prática para outros projetos que pretendam combinar usinas solares e sistemas de armazenamento de energia no Brasil.
Primeira bateria integrada a usina solar marca nova etapa no Brasil
O início dos testes do sistema de 1,25 MW e 5,016 MWh da Sol de Brotas 7 transforma um avanço regulatório em uma aplicação operacional concreta de armazenamento integrado à geração fotovoltaica.
A importância do projeto vai além do tamanho da bateria. A instalação permite acompanhar na prática como um sistema BESS pode funcionar junto a uma usina solar, acrescentando armazenamento a um empreendimento de geração renovável.
À medida que a participação das fontes renováveis cresce no Brasil, projetos desse tipo ajudam a mostrar como geração solar e armazenamento de energia podem funcionar de maneira integrada.